Dicom? Viewer? Voxel? Conceitos e termos que todo dentista precisa dominar para trabalhar com tomografias de alta resolução.

A tecnologia substitui práticas antigas na odontologia, trazendo resultados mais precisos. Este artigo explica conceitos como DICOM, FOV, VOXEL e VIEWER para otimizar o uso das tomografias.

Com o avanço da tecnologia e seus consequentes benefícios para nossos pacientes, muitas práticas antigas vêm sendo substituídas por opções mais precisas, com resultados mais eficazes e de maior previsibilidade. No entanto, toda mudança traz a responsabilidade de aquisição de novos conhecimentos por parte dos profissionais, conhecimentos sem os quais seu desempenho clínico dificilmente alcançará os mesmos níveis de eficácia.

Com as tomografias de alta resolução, não seria diferente. No nosso dia-a-dia, constantemente nos deparamos com dúvidas de nossos colegas em relação aos conceitos básicos necessários para o melhor aproveitamento da tecnologia disponível.

O objetivo deste artigo é elucidar de maneira clara e concisa estes conceitos, dando abertura para que os colegas possam tirar suas dúvidas… espero alcançar este objetivo e colaborar para o aprimoramento do conhecimento de todos!

Quando se trata de tomografia em odontologia, estes são os principais conceitos habitualmente utilizados e sobre os quais discorreremos na sequência:

– DICOM

– FOV

– VOXEL

– VIEWER

 – TEMPLATES

DICOM

Por definição, DICOM (Digital Imaging and Communications in Medicine) é um conjunto de normas que unifica o formato de exames de diagnóstico como tomografia, mamografia e ressonância magnética no meio eletrônico. O principal objetivo do padrão DICOM é fazer com que as imagens digitais sigam o mesmo formato, independentemente da marca ou modelo do equipamento em que elas foram geradas.

Os arquivos DICOM são, de maneira resumida, a essência da tomografia. É a linguagem através da qual os equipamentos de tomografia registram as imagens adquiridas.

Formados por um conjunto de arquivos (quando descompactados, em média, o dicom é composto por 250 arquivos individuais), representam a tomografia de maneira digital, e, por si só, não representam imagens.

Isso significa que, assim que o paciente realiza o exame, não há imagens prontas para serem enviadas aos profissionais, mas sim a essência digital da tomografia, representada pelo arquivo dicom.

 

“Me mande só a imagem assim que o paciente fizer?”

Diferentemente de uma radiografia 2d, que é gerada em um arquivo de imagem (como .bmp ou .jpeg), a tomografia não gera nenhuma imagem assim que realizada pelo paciente, sendo necessário todo o processamento do exame em softwares específicos para que seu resultado possa ser compartilhado em forma de imagem.

Por ser padronizado e representar uma linguagem única, independente do equipamento que fez a tomografia ou software que a interpretou, a linguagem DICOM permite que o exame de seu paciente seja inserido em um workflow (ou fluxo) digital, através de softwares de planejamento de cirurgia guiada, por exemplo, além de planejamento para perioguides, endoguides, confecção de biomodelos e protótipos 3d, entre outros.

Os arquivos DICOM são usualmente unidos (alinhados) a arquivos .STL (provenientes do escaneamento intra-oral) para o aprimoramento dos resultados de planejamentos de guias cirúrgicos e protótipos.

FOV (FILD OF VIEW)

Fov ou Filed of View é o tamanho máximo que um objeto pode ocupar dentro de uma matriz… o volume máximo de aquisição de uma imagem durante um exame tomográfico.

Ou seja, o fov é o volume de imagens que serão obtidas por um exame tomográfico.

Quanto maior o fov, maior será a área do corpo que será incluída no exame. Quanto menor o fov, menor será a imagem “radiografada”.

Hoje, a grande maioria dos equipamentos modernos são multi-fov, ou seja, oferecem uma gama de tamanhos diferentes de FOV, cada um com uma aplicação específica.

É importante que o dentista saiba solicitar corretamente o exame de acordo com o tamanho do FOV, para optimizar o resultado do mesmo.

Exemplos de diferentes tamanhos de FOVs, cada um com aplicações específicas de acordo com o caso clínico.

FOVs grandes apresentam menor resolução de imagem, sendo contra-indicados para diagnósticos tênues como fraturas radiculares ou avaliação endodôntica… para estes casos, quanto menor o FOV, maior a resolução de imagem e consequentemente melhor a avaliação do caso clínico.

Os FOVs de tamanho grande, assim, são melhores indicados para planejamento de implantes, exodontias, planejamento periodontal ou cirurgias ortognáticas, onde é necessário a utilização de fovs que façam a aquisição de toda a face.

O J Morita X800 oferece 11 diferentes tamanhos de FOV, cada um com sua aplicação específica, desde o 4×4 modo endo, para diagnósticos de altíssima resolução, até o 15×14 de face completa.

Alguns equipamentos não possuem FOVs de grande tamanho, sendo possível a união de várias aquisições de tamanho pequeno para se adquirir um único exame de tamanho grande. Este processo se chama Stitching, e é um recurso oferecido por alguns softwares específicos.

Exemplo de união de FOVs ou Stitching – 3 volumes diferentes foram unidos para gerar um novo volume de maior tamanho.

O J Morita X800 ainda permite a aquisição de um FOV em tamanho 5 x 10, em formato triangular, com o objetivo de estender a aquisição da imagem na região de terceiros molares em pacientes com arcadas maiores que a média.

Recurso exclusivo do J Morita X800, o FOV “triangular” permite aquisição completa de arcadas de maior tamanho.

VOXEL

O voxel é uma medida volumétrica que quando unida a todos os outros voxels, forma o volume do exame tomográfico (ou FOV).

De maneira simples, da mesma maneira que uma fotografia digital é formada por pixels ( uma medida de 2 dimensões), a tomografia é formada por voxels (uma medida em 3 dimensões).

Exemplo de FOV (no caso, 180x220 mm) e seus correspondentes voxels, unidades tridimensionais a partir das quais o volume tomográfico é formado.

Quanto maior o FOV, maior o voxel e consequentemente menor a resolução da imagem. E, inversamente, quanto menor o FOV, menor o voxel e consequentemente maior a resolução da imagem. Este conceito é de extrema importância para a correta indicação dos exames por parte dos dentistas.

VIEWER

O Viewer nada mais é que um software com o objetivo de se visualizar de maneira mais completa e com melhor resolução o resultado da tomografia. Existem vários visualizadores disponíveis, cada um com suas características e ferramentas próprias. Independente do viewer de escolha ou fornecido pela clínica de radiologia, eles constituem a melhor ferramenta para a avaliação dos resultados dos exames, principalmente quando comparados com simples templates radiográficos, por possibilitarem a visualização volumétrica do exame por completo, sob qualquer ponto de vista e em 360 graus, além de possuírem inúmeras ferramentas como controle de brilho e contraste, mensuração linear e angular, integração com outros softwares de planejamento, inserção virtual de implantes e muito mais.

Exemplo de Viewer, no caso o One Volume Viewer da Morita, de distribuição gratuita, alta resolução de imagens e completo em ferramentas de aplicações diversas.

TEMPLATES

Templates são representações em forma de imagens, em duas dimensões, dos resultados dos exames tomográficos.

Embora consolidados como o resultado final das tomografias, tendem a cair em desuso com a aplicação cada vez maior de viewers e softwares de planejamento associados à arquivos DICOM.

O templates, embora de simples interpretação, representam uma amostra muito restrita do volume tomográfico, sob um ponto de vista fixo, quando comparado com as imagens visualizadas a partir de viewers e examinadas em 360 graus.

Normalmente apresentados em forma de filmes radiográficos, papel fotográfico ou ainda em arquivos .pdf, representam uma forma restrita de se examinar uma tomografia.

Nem sempre os templates apresentados correspondem à região ou ângulos de vista desejados pelo profissional, sendo imperativo a aquisição do conhecimento de como se navegar em imagens 3d com a utilização de softwares.

Além disso, acabam por transformar um exame de 3 dimensões em imagens estáticas de duas dimensões.

Exemplo de template radiográfico em tomografia cone beam.

Embora a aceitação por exames 100% digitais tenha aumentado significativamente nos últimos anos, ainda há uma grande resistência por parte dos dentistas em substituir os exames impressos por exames digitais. Assim, para que os profissionais deem um próximo e importante passo na evolução tecnológica e clínica, é de extrema importância a aquisição de tecnologias apropriadas, conhecimento técnico e, principalmente, quebra de paradigmas culturais em nome de uma odontologia mais moderna, precisa e de resultados de alta performance para os pacientes.

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