Por que os dentistas brasileiros ainda resistem tanto aos exames digitais? – Parte 1

Exames digitais oferecem melhor qualidade, são sustentáveis, acessíveis instantaneamente e otimizam tratamentos com precisão e previsibilidade.

Quando pensamos em odontologia digital, a primeira inovação que nos vem em mente é a recente implementação e utilização dos escâneres intra-orais como substituto das moldagens tradicionais. No entanto, muito antes disto, os processos digitais já fazem parte da rotina das clínicas de radiologia odontológica e sua consequente interação com os cirurgiões-dentistas, através dos exames radiográficos digitais. Radiografias e fotografias digitais já existem e são disponibilizadas há bem mais de uma década.  Processos analógicos de revelação de filmes radiográficos e fotográficos foram substituídos pelas imagens digitais, com maior qualidade de imagem e distribuição imediata a quem possa interessar, onde quer que esteja. Por e-mail, por plataformas específicas ou nuvens, possibilitando cópias de segurança e back-ups, reprodutibilidade e rapidez, além da redução de custos e consequentemente do preço final dos exames para os pacientes.

Embora a aceitação por exames 100% digitais tenha aumentado significativamente nos últimos anos, ainda há uma grande resistência por parte dos dentistas em substituir os exames impressos convencionais por exames on-line. Mesmo que isso signifique maior rapidez, melhor qualidade (as imagens digitais têm resolução muito maior do que as películas impressas) e desocupem muito espaço em consultórios e clínicas – espaços originalmente reservados para se armazenar pilhas e pilhas de pastas e envelopes. Os fatores responsáveis por tal resistência, os quais serão discutidos aqui, são essencialmente os seguintes:

  1. Paradigmas culturais (o hábito de se receber, visualizar e manipular exames impressos)
  2. Fatores tecnológicos (implementação de equipamentos e computadores adequados na rotina profissional)
  3. Fatores estruturais (adequação do ambiente profissional).
  4. Investimento (financeiro e de tempo) em cursos e assimilação de novas tecnologias e informática.

PARADIGMAS CULTURAIS

A maioria das coisas que fazemos todos os dias são baseadas em hábitos; eles dão estrutura à nossa vida e isso não significa ser algo ruim, em hipótese nenhuma.  No entanto, em casos de mudanças eminentes, mesmo que agregando valor e qualidade em nossas vidas, a quebra de hábitos e paradigmas pode se transformar em algo bem complicado, e há uma razão psicológica para isso. Pesquisadores descobriram que padrões de redes neuronais se formam em torno de comportamentos repetitivos, e quanto mais você faz essas coisas, mais fortes se tornam essas conexões neurais. Isso está presente nos mais simples atos, como acordar e dormir no mesmo horário, até em ações mais complexas, como a maneira através da qual trabalhamos e desenvolvemos nossas tarefas. É aí que nossa zona de conforto é confrontada: quando alguma mudança em nossa rotina nos é proposta.

Hábitos, são acima de tudo, culturais. São passados de pessoa a pessoa, conforme somos criados, educados e nos desenvolvemos, e mudam conforme as diferentes culturas, épocas ou regiões.

Quando nosso primeiro equipamento radiográfico digital foi instalado, há doze anos atrás, nossa expectativa de novos tempos era enorme… acreditávamos que em pouco tempo, nossos colegas optariam por exames digitais e que as películas impressas se tornariam lembranças em pouquíssimo tempo. Na época, por se tratar do primeiro equipamento daquela marca e fabricante instalado no país, recebemos a visita de representantes da fábrica que estavam no Brasil e que quiseram acompanhar a instalação e o treinamento.  Me lembro até hoje da expressão nos seus rostos ao verem nossa recém-instalada impressora de radiografias. Após a examinarem com cautela, um deles me disse: “Por que vocês compraram uma impressora de radiografias? Vocês acabaram de adquirir um equipamento digital! “

Para eles era ilógico investirmos em um equipamento que gerava imagens digitais, para depois serem convertidas em imagens impressas em películas radiográficas. Provindos da Ásia, onde a tecnologia e os hábitos de trabalho já eram puramente digitais desde aquela época, não lhes fazia muito sentido a criação deste intermediário oneroso e completamente dispensável na forma de um exame físico.

Todos aceitam a idéia de que num futuro muito próximo todos trabalharemos com exames cem por cento digitais, no entanto, este futuro já chegou faz tempo e já faz parte da vida de milhares de profissionais ao redor do mundo. Os dentistas brasileiros, entre todos, são os que apresentam maior resistência em aceitar no seu dia-a-dia exames digitais, em contraste com os profissionais dos países chamados de primeiro mundo.  A quebra de paradigmas se faz não apenas necessária, mas urgente. Motivos para isso não faltam. Além das já citadas qualidade e rapidez superiores, os processos que integram a prática odontológica – exames radiográficos, cad/cam em prótese dentária, planejamentos cirúrgicos, em implantodontia, ortodônticos –  se tornam essencialmente digitais, em uma velocidade cada vez maior. O fluxo de trabalho nos consultórios, assim, dependerá cada vez mais dos processos digitais para que possamos dar continuidade aos nossos tratamentos e planejamentos.

…RESUMINDO…

Exames digitais apresentam qualidade de imagem superior aos exames impressos. São ecologicamente mais responsáveis, compartilhados imediatamente para qualquer profissional do mundo. Pode ser reproduzido a qualquer momento e não ocupam espaço. Além disso, aliados à processos de CAD/CAM, apresentam maior acurácia, previsibilidade e permitem a execução de planos de tratamento em fluxo digital, seguindo lado-a-lado a evolução de equipamentos e laboratórios.

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